Enquanto alunos seguem prejudicados, resposta enviada ao Jales Agora desloca foco para grupo de WhatsApp e para a atuação do jornal
A resposta enviada ao Jales Agora pelo vereador e professor, Rivelino Rodrigues, ligado à ETEC/FATEC de Jales não esclarece de forma objetiva o que a população mais quer saber: por que alunos da zona rural continuam sem transporte escolar para frequentar as aulas. Em vez disso, o documento concentra boa parte de seu conteúdo em criticar a forma como a reportagem foi compartilhada e em tentar desqualificar o trabalho da imprensa.
Ao responder à pergunta sobre quais pontos específicos da reportagem estariam errados, o professor não aponta nenhum erro factual concreto. Diz apenas que teria havido “carência” de informações e afirma que estaria à disposição para apresentar “a realidade dos fatos”. Ao mesmo tempo, sustenta que está “em pleno direito” de fazer “suposições”, embora tenha usado justamente esse argumento para questionar a matéria publicada.
Em outro trecho, o docente tenta reduzir sua manifestação a uma simples medida de disciplina, alegando que os grupos acadêmicos da ETEC e da FATEC “não são — e nunca foram — um canal para debates externos” e que, ao perceber a postagem da matéria no grupo, apenas “restabeleceu a ordem”. Afirma ainda que sua intervenção não teve “qualquer caráter de crítica pública à imprensa”.
Mas a própria resposta contradiz essa tentativa de enquadramento. Ao longo do texto, o professor sustenta que o jornal publicou matéria com falta de informações, diz que quem fez a postagem deveria estar “preparado para o contraditório”, menciona o horário em que a notícia foi compartilhada e ressalta que o aluno envolvido teria pedido desculpas após sua manifestação. Ou seja, além de tratar do ambiente acadêmico, ele efetivamente emite juízo sobre a atuação jornalística.
O dado mais grave, porém, aparece quando o próprio professor admite que o problema do transporte não é novo. Segundo ele, desde novembro de 2025 já existem tratativas entre vereadores, direção da ETEC, Presidência do Centro Paula Souza, Prefeitura de Jales e representantes da área educacional para buscar uma solução. Ele afirma, inclusive, que o assunto já envolveu escalões superiores do CPS, o secretário estadual de Educação e o dirigente regional de ensino.
A revelação reforça a importância da reportagem: se o problema é conhecido há meses, já passou por reuniões e continua sem solução, a cobrança pública se torna ainda mais necessária. Apesar disso, a resposta não apresenta data, documento, cronograma, prazo ou qualquer medida emergencial para os estudantes que seguem sendo prejudicados.
Quando questionado sobre quais respostas recebeu dos órgãos responsáveis, o professor afirma que a solução depende exclusivamente da formalização de convênio entre o Centro Paula Souza e a Prefeitura de Jales, com transferência de recursos do Governo do Estado, ou então da absorção do transporte pela Seduc, que já possui linhas regulares para alunos da rede estadual. Ainda assim, não informa quando isso ocorrerá.
Na pergunta final, que tratava da prioridade entre discutir a reportagem ou garantir o direito dos estudantes de frequentarem as aulas, o docente não responde de forma direta. Em vez disso, volta a falar em custos operacionais do transporte e afirma que a reportagem poderia induzir a população a imaginar culpa do Executivo local e da direção da ETEC, insistindo que a questão depende de instâncias superiores.
Em resumo, a resposta enviada ao Jales Agora não derruba a reportagem, não aponta erro objetivo e ainda confirma que o problema é antigo, conhecido por diversas autoridades e segue sem solução concreta. Enquanto isso, alunos continuam enfrentando prejuízos no acesso às aulas — e o debate, em vez de se concentrar no direito dos estudantes, foi deslocado para uma tentativa de enquadrar a imprensa.
Link da reportagem postada no grupo de WhatsApp: https://www.instagram.com/p/DV1Y0f_CUwn/

Perguntas e respostas na íntegra:


