Uma movimentação no orçamento da Prefeitura de Jales acendeu novo alerta sobre as prioridades da administração.
O Decreto nº 11.198/2026 abriu crédito adicional suplementar de R$ 750.500,00. Dentro desse valor, chama atenção a destinação de R$ 405.000,00 para “Serviços de Tecnologia da Informação e Comunicação – Pessoa Jurídica”, dentro da Educação Básica.
O ponto que exige explicação está na origem do dinheiro: os R$ 405 mil foram retirados da ficha do Transporte Escolar, também vinculada à Educação Básica, na categoria “Outros Serviços de Terceiros – Pessoa Jurídica”.
Em outras palavras: o recurso saiu do transporte escolar e foi direcionado para tecnologia.
A movimentação pode até ser um ajuste técnico ou estar ligada ao pagamento de algum sistema, software ou empresa de tecnologia. Porém, o decreto não informa qual empresa será paga, qual serviço será contratado, nem por que o dinheiro precisou sair justamente do Transporte Escolar.
A cobrança fica ainda mais forte porque, segundo apontamento da vereadora Andrea Moreto, neste ano a Prefeitura deixou de realizar o transporte de alunos da ETEC, alegando falta de recursos. Questionada pelo nosso jornal, a vereadora não respondeu sobre o assunto, transferindo para outra pessoa o questionamento. ETEC sem transporte e o próprio Diário Oficial mostra a retirada de R$ 405 mil da rubrica do Transporte Escolar.
A pergunta é inevitável: faltou recurso para transportar estudantes, mas sobrou dinheiro no Transporte Escolar para remanejar para tecnologia?
A população precisa de respostas claras. Qual serviço de tecnologia custará R$ 405 mil? Qual empresa receberá esse valor? O transporte escolar foi prejudicado? Havia sobra real nessa dotação? E por que estudantes ficaram sem transporte se havia recurso sendo remanejado da própria área?
Quando o assunto envolve Educação, transporte de alunos e dinheiro público, a explicação não pode ficar escondida em códigos orçamentários.
Escrito por: Luide Mendes
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