O risco da ausência de leitura para uma empresa
A leitura é um exercício mental que contribui significantemente para o bem-estar emocional e o desenvolvimento intelectual do ser humano. Os benefícios que essa prática proporciona vão desde a aprimoração do vocabulário e o estímulo da criatividade, até a diminuição dos riscos de se desenvolver doenças como Demência.
Segundo a neurologista Joana D’Arc Loureiro, que incorpora o Ambulatório de Especialidades do Hospital e Maternidade José Martiniano de Alencar (HMJMA), “Ler trabalha com a imaginação, a memória, com um processo cognitivo que utiliza todo o cérebro. Ela te coloca dentro de vidas que você não viveu, traz experiências que você não teve. Imagina a riqueza para o cérebro. Esse hábito pode trazer o mundo inteiro para dentro da sua cabeça, estimulando sinapses, utilizando outros neurônios e causando uma atividade geral da mente”.
A 6ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil (2024) revelou que 53% da população com 5 anos ou mais são considerados “não leitores”, tendo 47% de leitores. No entanto, dentro dessa estatística , apenas 27% dela enquadra pessoas que terminaram de ler ao menos um livro, se considerar os três meses anteriores a realização da pesquisa; ou outros 20% são pessoas que iniciaram algum livro, sem chegar a finalizá-lo.
A capacidade de interpretar de forma coesa o sentido das coisas também é um dos benefícios da leitura, pois ela, através dos conteúdos disponíveis e da variedade de temas explorados, traz ao leitor um senso crítico e um amplo repertório.
Filomena Elaine Paiva Assolini, professora do Departamento de Educação, Informação e Comunicação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, pontua que o baixo índice de leitura dos jovens brasileiros pode evidenciar uma dificuldade no mercado de trabalho e outras esferas da vida. “Quando existem essas avaliações externas, as crianças brasileiras e os jovens brasileiros sempre se saem muito mal. Por quê? Porque eles não aprenderam a interpretar, eles não aprenderam a fazer leituras outras além da leitura do livro didático, além da leitura que é pré-fixada pela escola”, explica em seu texto sobre o Relatório do Brasil no Pisa 2018, elaborado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), após os resultados demonstrarem que o Brasil ficou 74 pontos abaixo de outros 16 países na média de proficiência em leitura.
Pensando em um cenário onde o excesso de informações, muitas vezes não filtradas, consome nossas telas, o comodismo linguístico pode criar obstáculos em nossa interpretação, seja da linguagem verbal ou não verbal, e em nossa comunicação, pois ficamos ligados em um padrão e nos apossamos dele, transformando nosso repertório em uma oficina de conhecimentos.
Levando esses obstáculos para um contexto organizacional, a existência de ruídos na comunicação resulta em interpretações precipitadas de dados que, muitas vezes, não podem ter essa margem de erro, pois são parte de um processo que necessita de objetividade e clareza para serem executados, além de gerar problemas como retrabalho, redução da produtividade e qualidade de entrega, insatisfação das equipes e até prejuízos financeiros.
Nesse sentido, para um líder, a leitura auxilia no desenvolvimento de uma maior inteligência emocional, impactando diretamente na forma como a equipe se relacionará e executará suas funções, além de abranger os conhecimentos técnicos necessários para uma boa gestão.
Por Ana Lúcia | Precisão Sistemas
Analista de Gente e Gestão Generalista
