Durante o 41º Congresso dos Gideões Missionários da Última Hora, realizado em Camboriú, Santa Catarina, a pastora Helena Raquel fez um forte alerta às mulheres vítimas de violência doméstica e sexual. A ministração, ocorrida no sábado (2), ganhou grande repercussão nas redes sociais ao abordar, de forma direta, o silêncio que muitas vezes cerca casos de abuso dentro de ambientes religiosos.
Com base no texto bíblico de Juízes 19, Helena chamou a atenção para situações em que vítimas são orientadas a permanecer caladas para “evitar escândalos”. Segundo ela, muitas mulheres dentro de igrejas ainda recebem conselhos para apenas orar pela mudança do agressor, quando, na verdade, precisam buscar proteção e denunciar.
A pastora afirmou que a oração não deve ser usada como desculpa para permanecer em risco. Em sua fala, orientou mulheres agredidas a procurarem uma delegacia, acionarem alguém de confiança e buscarem imediatamente um local seguro. Ela também alertou para o perigo de acreditar em pedidos de desculpas repetidos por agressores, destacando que a violência pode evoluir para consequências fatais.
Helena também direcionou sua mensagem aos pais e familiares de vítimas de abuso, principalmente crianças e adolescentes. A pastora reforçou que líderes religiosos, obreiros ou membros de igreja que cometem violência ou abuso não devem ser protegidos por sua posição espiritual, mas responsabilizados como criminosos.
Após a repercussão, Helena voltou a se manifestar nas redes sociais e afirmou que a Igreja não pode se omitir diante da violência. Para ela, nenhum título, cargo ou chamado religioso justifica agressão, abuso ou opressão.
A fala também recebeu apoio da senadora Damares Alves, que elogiou a coragem da pastora ao tratar do tema em um dos maiores eventos evangélicos do país. A parlamentar ainda reforçou a importância de ampliar a conscientização sobre a violência contra mulheres no meio religioso.
Vítimas de violência podem procurar ajuda pelo Ligue 180, canal de atendimento à mulher, ou pelo Disque 100, voltado a denúncias de violações de direitos humanos.