Em meio às discussões modernas sobre liderança, valores e integridade, uma história do mundo corporativo tem chamado a atenção como exemplo de princípios inegociáveis. O consultor internacional Kivi Bernhard foi convidado para ser o palestrante principal de um grande evento da Microsoft, porém a conferência estava marcada para um sábado dia do Shabat, sagrado para judeus observantes.
Mesmo diante de uma remuneração elevada e da visibilidade internacional que o convite proporcionaria, Bernhard recusou. Para ele, honrar o Shabat era um princípio acima de qualquer benefício financeiro. Quando Bill Gates soube do motivo, teria comentado admirado: “Isso é o que acontece quando você tem algo que o dinheiro não pode comprar.” Diante dessa postura, a empresa decidiu adiar a palestra para o domingo.
Embora seja uma história do ambiente empresarial, ela revela uma verdade antiga: a vida humana precisa ser governada por princípios. Curiosamente, essa mesma ideia aparece de forma profunda no relato bíblico da criação do homem.
No livro de Gênesis 1:24-31, o texto afirma que Deus organizou toda a criação com ordem e propósito:
“E disse Deus: Produza a terra criatura vivente conforme a sua espécie… e viu Deus que era bom.”
Cada ser vivo foi criado com identidade e função definidas. A criação não surgiu no caos, mas dentro de princípios estabelecidos pelo próprio Criador.
No entanto, o momento mais significativo acontece quando Deus cria o ser humano:
“Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra.”
Esse texto revela algo fundamental: o homem foi criado à imagem de Deus e recebeu uma responsabilidade especial governar a criação. A palavra “dominar”, no contexto bíblico, não significa exploração, mas administração responsável, liderança e cuidado sobre aquilo que foi confiado ao ser humano.
Portanto, desde o início da história bíblica, o homem foi chamado a exercer governo. Porém, esse governo começa primeiro dentro de si mesmo. Antes de governar a terra, o ser humano precisa ser governado por valores, consciência e princípios.
É justamente isso que vemos refletido na atitude de Kivi Bernhard. Sua decisão demonstrou que há algo mais poderoso do que dinheiro, prestígio ou oportunidade: convicções que governam a vida.
O relato bíblico continua dizendo que Deus abençoou o ser humano e declarou:
“Frutificai, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a.”
Essa bênção mostra que o propósito humano não é apenas existir, mas frutificar e exercer influência no mundo. Quando princípios espirituais orientam as decisões, o governo humano se torna equilibrado e alinhado com o propósito divino.
No final do relato da criação, o texto conclui com uma declaração poderosa:
“E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom.”
Essa afirmação revela que a ordem da criação, o governo dado ao ser humano e os princípios estabelecidos por Deus formam um projeto harmonioso para a vida.
Assim, a história de um profissional que escolheu honrar suas convicções ecoa uma verdade muito mais antiga. Desde o princípio, o ser humano foi criado para viver de forma diferente: governado por valores que refletem a imagem de Deus.
Em um mundo frequentemente guiado por interesses imediatos, histórias como essa lembram que o verdadeiro governo da vida começa quando princípios espirituais ocupam o lugar mais alto das decisões humanas.
Não negocie os princípios de Deus são eles que vão trazer sucesso para a sua vida, governe com autoridade, responsabilidade e verdade e verás as bençãos do Eterno transbordar sobre a sua cabeça.
Amaray Reis.
Professora de Hebraico Bíblico.