Cálculo confere, mas publicação omite amostragem, perfil, margem de erro e controle das respostas
A Prefeitura de Jales publicou no Diário Oficial de 3 de agosto uma avaliação dos programas governamentais que atribuiu nota média 7,26 à administração. O resultado, porém, trouxe uma ausência relevante: a publicação não apresenta metodologia, período de coleta, perfil dos participantes nem critérios de amostragem.
O levantamento contabilizou 111 respostas. Entre elas, 32 participantes deram nota 6, 30 escolheram 8 e 22 atribuíram 10. Houve ainda 15 avaliações com nota 7, enquanto as demais se distribuíram entre outras opções. A conferência matemática mostra que os números somam 111 respostas e produzem média aproximada de 7,261, compatível com o resultado divulgado.
O cálculo está correto. A representatividade, entretanto, não pode ser confirmada com o material publicado. O documento não informa como o formulário foi divulgado, se havia controle contra duplicidades, quantos moradores tiveram acesso ou se a participação contemplou bairros, idades e perfis sociais.
Também não foram apresentados margem de erro, nível de confiança, questionário ou relatório técnico para auditar os resultados.
Entre os setores mais bem avaliados aparecem Agronegócio, com 7,39; Meio Ambiente, com 7,34; Alimentação Escolar, com 7,33; e Cidadania e Ensino Fundamental, ambos com 7,32. Na outra ponta, Desenvolvimento Econômico e Obras e Infraestrutura receberam 6,98. Conselhos Municipais ficou com 7,02, Esporte com 7,04 e Contratações e Turismo com 7,05.
A proximidade entre as notas chama atenção: todas ficaram entre 6,98 e 7,39. Sem informações sobre a seleção dos participantes, não é possível afirmar que o índice represente Jales.
A Prefeitura precisa esclarecer quem elaborou a pesquisa, quando foi realizada, quais canais foram utilizados e por que 111 respostas foram consideradas. Transparência não significa apenas divulgar um número final, mas demonstrar como foi produzido e permitir que a sociedade avalie sua confiabilidade.
JALES AGORA